Bebe sendo alimentado - programação metabólica e 1000 dias da criança

Pediatra explica os conceitos de programação metabólica e dos primeiros 1000 dias das crianças. Veja como isso afeta a saúde dos pequenos

Na maioria das famílias a história é quase sempre a mesma. Quando a rotina bate a falta de atenção à alimentação saudável, principalmente para as crianças, vêm à tona.

Os pequenos acabam comendo sanduíches, bolachas, salgadinhos, frituras e refrigerantes. Isso é perigoso e pode  levar à obesidade, hipertensão, gastrite e outros problemas.

Segundo dados do Ministério da Saúde, haviam 6,4 milhões de crianças com sobrepeso no Brasil no ano passado. 3,1 milhões delas evoluíram para a obesidade.

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Programação metabólica

Hábitos alimentares saudáveis ​​devem começar durante a gravidez da criança. É isso que defende a pediatra Maria Irene Fidelis, membro da Associação Brusquense de Medicina – ABM.

A profissional explica que eles devem continuar após o nascimento. Com os recém nascidos o foco é no aleitamento materno.

No momento da introdução dos alimentos, a recomendação é não usar açúcar antes dos dois anos. Já o sal pode fazer parte dos pratos após um ano de idade, porém em quantidade controlada.

Isso faz parte da chamada “programação metabólica”, que terá impacto na saúde futura dessa criança até a idade adulta.

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Primeiros 1000 dias da criança

De acordo com a médica, a programação metabólica está ligada a outro conceito amplamente utilizado nas sociedades pediátricas. São os 1000 dias da criança.

Uma forma de entender isso, é pensar na soma do primeiro e segundo anos de vida, além da idade intrauterina.  Ou seja, de 365 +365+270 dias, aproximadamente.

“Esses primeiros mil dias são extremamente importantes na programação metabólica desse indivíduo (…) ao longo de sua vida. Crianças que recebem uma alimentação muito industrializada, com excesso de gorduras que não são boa e açúcares, podem desenvolver na vida adulta e até na adolescência, predisposição muito maior para doenças”, explica a médica.

Entre as doenças passíveis de serem desenvolvidas caso não se criem bons hábitos alimentares durante o período estão:

  • diabetes;
  • obesidade;
  • hipertensão.

Questão de hábito

“Para ter uma ideia, há alguns anos, quando a gente tinha um diagnóstico de uma criança com diabetes, era sempre Tipo 1. Ou seja, aquele genético, que vai fazer uso de insulina. Nas últimas décadas, tem aumentado os índices de diabetes Tipo 2, que não  é alimentar. Isso é um reflexo dos hábitos que elas têm”, ilustra a pediatra.

A doutora  Maria Irene lembra ainda que não são apenas hábitos de alimentação que influenciam esse contexto.

“Mas também em termos de atividades físicas, sedentarismo e uso de telas. Tudo isso  ocasiona esse tipo de complicações” pondera.

Para uma vida saudável não há fórmula mágica, só seguir a lógica. Quanto mais hábitos saudáveis as crianças receberem de seus pais, mais os filhos carregarão para sua vida.

“Com certeza vai contribuir para a vida futura destas crianças”, finaliza a médica.

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