Imagem de um menino desenhando para ilustrar uma entrevista sobre Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Para marcar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (02/04) a Mais Saúde conversou com a neuropediatra Aline Besen Tomasi (RQE 24486)* sobre o transtorno

Quais os principais sintomas do autismo?

Os principais sintomas são dificuldades na linguagem, comunicação, interação social e comportamentos e interesses restritos e repetitivos. Por exemplo, uma criança com autismo tem a fala em um nível abaixo do que é esperado para sua idade, brinca muito mais sozinha em comparação com as outras, tem dificuldades em mudar rotinas, em brincar de faz de conta. Porém, muitos desses sintomas também estão presentes em crianças sem autismo, por isso uma avaliação especializada é necessária.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico e multidisciplinar, através da observação dos sintomas. São levados em consideração relatos de professores, pais, psicólogos, terapeutas, e observação em consulta médica. Não há exames que comprovem o autismo.

Quais são os principais  “tipos” de autismo e como eles se caracterizam?

Atualmente a nomenclatura mais atualizada utiliza o termo transtorno do espectro autista. Ela engloba todos os casos que antes eram separados em síndromes distintas. Classifica-se o paciente com autismo em graus leve, moderado e grave ou nível 1,2 e 3 conforme a necessidade de suporte.

Também são especificados se há ou não déficit cognitivo e se a criança é verbal (capaz de falar). Dentro do grau leve estão as crianças que apresentam a Síndrome de Asperger (nomenclatura antiga).

Estes pacientes não apresentam déficit cognitivo nem atrasos graves na linguagem. O que mostram são dificuldades na interação social, no uso da linguagem não verbal (uso de gestos, forma de olhar) e tem interesses restritos (por exemplo, interessar-se excessivamente sobre tipos de trens).

O fator genético pode influenciar? Pode ser considerada uma condição hereditária?

Atualmente considera-se existem causas genéticas e influências ambientais. Isto se concluiu por haver recorrência maior entre irmãos e principalmente entre gêmeos.

Porém, não foi encontrado um gene específico para o autismo e outros fatores como prematuridade, infecções e uso de medicações na gestação também podem causar o transtorno.

Acredita-se que uma combinação de vários genes cause a predisposição ao autismo e, dessa forma, cada caso apresenta características distintas. O risco de um casal que já tem um filho com autismo ter uma segunda criança com o transtorno é aproximadamente 20%.

Veja mais: Vacinas tornam as crianças autistas?

Quais as vantagens de um diagnóstico precoce?

Quanto mais cedo é feito o diagnóstico e o inicio do tratamento melhores são os resultados obtidos. Bem como, melhor é o desenvolvimento da criança.

Além disso, receber o diagnóstico auxilia os pais a compreenderem porque seu filho não está se desenvolvendo conforme o esperado. Outra coisa é compreender o porque é tão difícil lidar com situações corriqueiras como cortar o cabelo ou ir a um aniversário.

Muitas vezes os pais recebem um bombardeio de críticas e a criança com autismo não diagnosticado é tida como mal educada.

Veja mais: A importância da equidade para autistas.

Não existe cura para esse transtorno, mas existe um tratamento?

Sim. O tratamento é realizado com terapias comportamentais com o psicólogo, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo. Elas incluem também intervenções em sala de aula e também mudança nas atividades em casa.

As medicações estão reservadas para distúrbios associados com o autismo como agressividade excessiva e dificuldade em dormir.

Leia mais informações como essa na Mais Saúde

*Entrevista concedida em 2019

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