Celular para crianças
Muito tempo no celular para crianças faz mal. Confira dicas de uma neuropediatra para solucionar o problema

Conversamos com a neuropediatra Luciane Baratelli (CRM 52.86255-0 RQE 20595), autora do livro “Antes que você cresça”. Ela comenta sobre o problema do uso de celular para crianças

Porque você acredita que as telas tem tanto apelo para as crianças? 

Luciane: As telas estimulam o centro de recompensas, elas fornecem estímulos o tempo todo. Pensa em um jogo, por exemplo, você aperta uma tecla e o boneco se movimenta, ganha um bônus, passa de fase. Tudo isso com muito pouco esforço, eleva a dopamina que é o hormônio do prazer. Tudo muito diferente do mundo real, em que precisamos de muito mais esforço para ter prazer ou uma recompensa, em qualquer atividade. A criança vai se acostumando com aquelas microrecompensas rápidas, e passam a querer buscar cada vez mais. 

Além disso, o celular e o tablet parecem prender ainda mais a atenção do que as telas mais tradicionais, como a televisão, por que isso ocorre?

Luciane: O celular e o tablet trazem ainda mais imediatismo. Se o vídeo está minimamente chato, só clicar em um botão que passa para o próximo, aumentando ainda mais essa ansiedade pelo prazer imediato. Além disso, são de uso individual, vai isolando mais a criança do meio externo.

Quais as consequências do uso excessivo de celulares para crianças?

Luciane: Embora atualmente a gente tenha a sensação de que as telas sempre fizeram parte das nossas vidas, elas são recentes. O Facebook foi lançado em 2004, o primeiro Iphone em 2007, isso tudo é pouco tempo quando falamos de evolução. As crianças que cresceram usando excessivamente o celular ainda não se tornaram adultas. Porém, é um assunto que tem sido muito pesquisado, e em geral, é encontrada uma correlação entre uso excessivo de telas e atraso na fala, miopia, obesidade, entre outros prejuízos.

Veja mais: Saúde ocular das crianças é afetada por excessivo uso de telas

Existe alguma maneira do uso desses aparelhos ser benéfico? 

Luciane: Sim, com certeza. É o caso das chamadas de vídeo feitas para ter contato com os parentes que moram longe, por exemplo.

Algumas crianças com prejuízo na fala podem se beneficiar de aparelhos eletrônicos para amplificar sua comunicação. Não dá para querer criar uma criança hoje igual fomos criados nos anos 80/90. O mundo mudou, as telas fazem parte do dia a dia delas querendo ou não, precisamos aprender a ter uma relação saudável com elas.

Qual o limite saudável para uso das telas e de celular para crianças? 

Luciane:  As academias de pediatria em geral recomendam que não haja exposição a telas até os 2 anos (com exceção de chamadas de vídeo com os parentes), entre 2 e 5 anos não seja ultrapassado 1 hora ao dia, e após isso, 2 horas. Mas mais importante do que o tempo total, é o espaço que a tela está ocupando na vida da criança. Assistir um filme em família numa tarde chuvosa é muito diferente de passar o final de semana no tablet vendo vídeos aleatórios, por exemplo. A tela está tirando tempo em que ela poderia estar brincando com os amigos? Praticando atividade física? Fazendo uma refeição em família? Não são respostas simples, os ajustes precisam ser modificados dia após dia. 

Celular para crianças
Como limitar o uso de celular para crianças? a especialista explica que é papel dos país fazer isso, mesmo ficando como chato da história.

Muitas vezes é difícil diminuir o tempo de celular para crianças. Que dicas pode ajudar? 

Luciane: Em primeiro lugar os pais precisam entender que a criança ou o adolescente não tem maturidade neurológica para controlar o próprio uso das telas. Esse papel cabe aos pais, precisamos ser chatos, as vezes, saber que eles vão querer mais do que podem. E estabelecer limites e momentos de uso.

O livro “Antes que você cresça – 90 perguntas para fazer ao seu filho enquanto ele cresce” foi escrito com o objetivo de aproximar as famílias. Criar um momento de conexão com os pais, facilitar as conversas em família, descobrir os gostos, medos e sonhos da criança. É um livro diário com perguntas para serem feitas às crianças sobre diferentes esferas da vida dela. As perguntas devem ser repetidas após um tempo, acompanhando o crescimento da criança. Porque a tela pode sim trazer alguns benefícios quando usada com cautela, mas nada ainda substitui o olho no olho, o toque e a presença verdadeira dos pais. 

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