Entenda a importância e a finalidade de todos os testes indicados nos primeiros instantes de vida de seu bebê

A chegada de um bebê é só alegria para toda a família. Decorar o quarto, comprar as roupinhas, pensar no chá de bebê. Em meio a essa excitação, as mamães não podem esquecer uma série de testes que deverão ser feitos dentro das primeiras 48 horas de vida do pequeno, uma vez que antes disso o metabolismo da progenitora pode influenciar nos resultados.

Os testes do pezinho, da orelha, do olhinho e do coraçãozinho são práticas obrigatórias por lei e devem ser realizados na maternidade pelo sistema público ou particular. Quando não realizados, os bebês podem desenvolver problemas de saúde irreversíveis. A médica pediatra Letícia Domingos explica como são esses testes e o que eles devem ajudar a prevenir e detectar.

 

Teste do pezinho básico

De acordo com a pediatra, o teste do pezinho é realizado com uma amostra de sangue tirada por meio de um furinho no calcanhar do bebê.  A triagem básica do teste oferecida pelo serviço público e particular contém o diagnóstico de doenças graves, principalmente a fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito e anemia falciforme.

A fenilcetonúria, conforme Letícia, é uma doença associada a excesso de um aminoácido no organismo do bebê, e pode levar à deficiência mental. O mesmo vale para o hipotireoidismo, cujos sinais não aparecem rapidamente e causam retardo mental e de crescimento. Já a anemia falciforme é uma alteração da hemoglobina capaz de gerar lesões em determinados órgãos. “São todas doenças sem cura, mas que se detectadas no início, as complicações podem ser evitadas e diminuídas com os tratamentos”, acentua.

O teste do pezinho deve ser feito 48 horas após o nascimento do bebê. Apenas no caso de bebês prematuros é que pode ser feito no 5ª dia de vida.  Existe também a triagem estendida do teste do pezinho que pode diagnosticar vários outros problemas de saúde. Essa triagem é disponibilizada apenas nos laboratórios particulares.

 

Teste do olhinho

Segundo a pediatra, no teste do olhinho um feixe de luz é lançado nos olhos do recém-nascido de forma inofensiva, através de um oftalmoscópio. Ao lançar a luz, esse aparelho dá origem a uma cor avermelhada e assimétrica nos olhos. Caso o reflexo seja vermelho, como é comum em fotografias tiradas com flash, o olho é sadio. Se o resultado for branco, o bebê pode ter alguma alteração nos olhinhos.

O teste pode diagnosticar doenças como catarata congênita, glaucoma e até tumores, segundo a médica. Se houver alteração, o pediatra deve encaminhar o recém-nascido para os cuidados de um oftalmologista para que se tenha um diagnóstico mais definido.

 

Teste da orelhinha

De acordo com a pediatra, no teste da orelhinha um fone de ouvido é colocado nas orelhas do bebê durante 5 a 10 minutos, enquanto a criança dorme. Estímulos sonoros são emitidos e a captação dos sons produz um gráfico em computador. O fonoaudiólogo analisa esses dados e verifica se o recém-nascido apresenta algum tipo de perda auditiva. “Essas perdas podem ser devido a alguma alteração durante a gravidez, uso de alguma medicação que foi tóxica ou até má formação”, explica.

Porém, a pediatra acentua que nem todas as deficiências auditivas já estão presentes ao nascimento, portanto, um teste normal não significa que a criança terá audição normal para sempre, significa que está normal ao nascer.

 

Teste do coraçãozinho

Incluído este ano na triagem neonatal da saúde pública e particular, o teste do coraçãozinho deve ser feito na maternidade após 24 horas do nascimento do bebê. Conforme a pediatra, o teste é feito utilizando um sensor externo chamado oxímetro que mede a concentração de oxigênio no sangue do pequeno.

O teste é realizado primeiramente na mãozinha direita, por causa da anatomia do coração, e depois no membro inferior (direito ou esquerdo). A saturação de oxigênio é comparada e se houver diferença maior do que 3 pontos, ou seja, maior ou igual a 95%, uma alteração pode ser considerada. “A indicação nesse caso é repetir o teste dentro de uma hora. Se na repetição do teste ainda houver alterações, a criança não pode receber alta e deve ser encaminhada para um cardiologista”, acentua Letícia.

O teste do coraçãozinho detecta cardiopatias extremamente graves que podem até levar a óbito.  “Considerando-se que a incidência desse tipo de cardiopatia é grande e que se tratam de cardiopatias que necessitam de intervenção e tratamento imediatos, o teste do coraçãozinho pode realmente contribuir para salvar  a vida do bebê”, ressalta.

 

Por Camila Neumann

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