Videogames, celulares, computadores e televisão… A infância hoje não é a mesma de alguns anos atrás

Não há nada que represente melhor o universo infantil do que a brincadeira e a capacidade de brincar. Em um passado não tão remoto, o ser criança era bem mais simples. Qualquer viagem no tempo nos levará a uma fase de nossas vidas onde lembraremos do pique-esconde, das escaladas em árvores, e de jogar muita bola na rua e nos parques.

Eis que tudo mudou, e não foram poucas as mudanças. A rua deixou de ser um local para brincar e passou a ser sinônimo de perigo. O correr livre e solto nos parques praticamente deixou de existir. Brincar em casa agora é regra, ao invés de exceção. E por consequência, o mundo virtual acabou por ocupar esse vazio. Brinquedos tradicionais, jogos, lápis e folhas de rabisco começam a desaparecer das prateleiras, dando lugar aos videogames e computadores. Agora não é mais a criança que corre, joga bola e se exercita com outras brincadeiras ao lado dos amiguinhos: quem faz isso é o videogame. Além disso, as amizades com outras crianças são mais desenvolvidas nas redes sociais do que pessoalmente.

Nascidas na era digital, as crianças têm disponibilizado cada vez menos tempo para as ‘coisas de criança’ e cada vez mais tempo em frente aos novos dispositivos tecnológicos. Mas será que é possível ser criança na era do videogame, do celular, do computador e da televisão? De acordo com a psicóloga Rosemeire Silva Pereira, sim, mas desde que haja um equilíbrio no uso dos eletrônicos, e para isso, o papel dos pais é importantíssimo. “É preciso mediar o uso da TV e jogos eletrônicos, pois apesar de também terem suas contribuições motoras e pedagógicas, necessitam de uma supervisão. Os pais devem escolher os programas de TV adequados de acordo com a idade da criança, e para os jogos eletrônicos dar limites de tempo de uso diário, para que estes não atrapalhem a refeição em família, a interação com os amigos, o desenvolvimento de suas tarefas escolares, e principalmente que não substituam a presença materna e paterna”, acentua.

Conforme Rosemeire, a tecnologia só traz contribuições para o desenvolvimento da criança desde que seja dosada e realizada dentro das necessidades de aprendizagem. Ou seja, se a criança passa grande parte do seu dia realizando somente estas ou uma destas atividades citadas, o desenvolvimento pode ser prejudicado em diversos aspectos, a começar pela pouca ou nenhuma realização de exercícios físicos, leitura e atividades escolares.

A psicóloga também ressalta que toda criança necessita de um tempo com os pais, e que é essencial que esse tempo seja divertido e prazeroso. “Os pais devem desenvolver atividades novas com as crianças para garantir uma boa interação. Podem propor também uma troca, acompanhando os filhos nos jogos eletrônicos e estes por sua vez podem conhecer os jogos em que os pais brincavam quando tinham a sua idade, estimulando assim a criança a ter vontade de brincar, de realizar outras atividades”, aconselha.

Todas as atividades são importantes, inclusive os jogos eletrônicos que desenvolvem atenção, habilidades motoras, entre outras características. Mas as que envolvem movimento do corpo de forma ampla, como nadar, jogar futebol, pular corda, andar de bicicleta, além dos tradicionais jogos de tabuleiro que são reflexivos, e os livros de historinhas que desenvolvem a imaginação, estão mais ligados ao ser criança.

Segundo a psicóloga, além das brincadeiras tradicionais fazerem parte de uma cultura, pois são transmitidas a cada geração, essas dão significado à brincadeira, trazendo à criança a oportunidade de reproduzir, transformar, interagir, se adaptar, superar dificuldades individuais e vivenciar regras. “Através das brincadeiras tradicionais, a criança vai organizando suas relações emocionais e sociais, aprendendo a conhecer e aceitar a convivência com os outros, pois a ação lúdica é a principal influência no desenvolvimento social da criança. Mesmo que em alguns jogos eletrônicos on-line possam ocorrer interações, as brincadeiras tradicionais garantem a aprendizagem de cooperar, ganhar e perder, e melhor socialização com outras crianças”, diz.

 

Por Camila Neumann

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