Ela não é um bicho de sete cabeças e muito menos algo que não possa ser superado

 

A palavra “timidez”, no dicionário, tem como significado uma pessoa inibida ou que tem vergonha de se expor. É um fenômeno bastante comum e, nem sempre, causador de grandes inconvenientes ou problemas – por vezes, é até uma forma de proteção e um tempo necessário para se adaptar a uma situação, ambiente ou uma nova pessoa. É uma pessoa mais introvertida, mas consegue lidar com as questões sociais sem sofrimento. Ela pode ser muito produtiva como dizia o poeta Pablo Neruda: “Refugiei-me na poesia com ferocidade de tímido”.

É importante cuidarmos com o olhar para essas pessoas, pois muitas vezes, temos a tendência de rotulá-las e ver a timidez como um problema e pode não ser. “Provavelmente, é a forma como essa pessoa aprendeu a se relacionar com os outros. Resta saber, se isso para ela é um sofrimento, se está causando prejuízo em sua vida pessoal, profissional e relacionamentos. Pois isso pode evoluir para um quadro de maior retração social e o indivíduo chega até a apresentar fenômenos físicos (somatizações) desta retração quando, no momento do contato com outras pessoas, ou numa situação social simples, começa a sentir-se muito ansioso, nervoso, sente calores ou frios pelo corpo, começa a suar muito, tem palpitações, gagueja ou perde momentaneamente a fala, tem dores musculares, sensações de mal-estar generalizado, entre outros”, explica a psicóloga Tania da Silva.

Quando a timidez chega a um ponto onde o indivíduo apresenta tais fenômenos de sofrimento e começa a isolar-se cada vez mais de eventos e situações de troca relacional ou exposição social, um tratamento psicoterapêutico e, quando necessário, psiquiátrico, é mais do que indicado. Essas situações geralmente são resultado de alguma experiência negativa que a pessoa vivenciou e não conseguiu elaborar um resultado disso, podendo gerar um trauma. Pode ser uma experiência escolar na infância, onde tinha que expressar-se verbalmente na escola, se atrapalhou no momento de falar e as crianças tiraram “sarro”, sentindo-se ridicularizado. Assim, pode passar a evitar situações nas quais se sente exposto, com medo que se repita o mesmo cenário e o sentimento negativo que construiu com relação a si mesmo, que pode ser carregado de várias reações, como citadas acima.

A psicóloga explica que as implicações disso podem ser muito grandes na vida da pessoa, resultando na baixa autoestima e insegurança, dificuldade de relacionamentos e na exposição no âmbito profissional. Problemas esses que podem se perdurar por muito tempo, podendo haver muitas perdas de oportunidades em nossa vida. “Quando se percebe que o jovem ou criança apresenta dificuldades na troca relacional e expressão social que se prolongam por mais de alguns meses, é interessante buscar um psicólogo para avaliar e orientar a situação, junto aos pais ou responsáveis, para trabalhar os traumas e poder seguir a vida sem mais esse entrave. Tendo mais suporte emocional conseguirá ter o enfrentamento necessário para superar essa situação”, sugere Tania.

Além da psicoterapia, participar em atividades de grupo como aulas de dança, teatro, esportes e afins, surte resultados bastante satisfatórios para o autoconhecimento e superação da timidez. “A timidez em si traz uma contradição, como disse Clarice Lispector, “Desculpem eu ser eu. Quero ficar só! Grita a alma do tímido que só se liberta na solidão – contraditoriamente quer o quente aconchego das pessoas”. Precisamos buscar nossa integralidade, nosso autoconhecimento para que, assim possamos superar nossos medos, inseguranças e viver com mais leveza no presente. Carpe Diem!”.

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