O sentimento de medo e preocupação em excesso com o que está por vir pode ser um dos sinais daquela que vem sido chamada de “a doença do século”. “A ansiedade é um sentimento funcional que todos nós possuímos, e quando balanceada, traz um medo natural de situações que não temos controle, que serve para nos proteger dos perigos e enrascadas da vida. Porém em alguns casos, a dosagem desse sentimento ocorre de forma exagerada, trazendo uma grande apreensão e estresse mesmo em pequenas situações do dia a dia”, explica a psicóloga Adriane M. Kulka.

De acordo com a psicóloga, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV – divide em sete os transtornos de ansiedade: transtorno do pânico, transtorno de ansiedade social, fobias específicas, agorafobia, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de ansiedade de separação e mutismo seletivo. “Quando a pessoa sente um risco iminente de forma muito intensa, irrealista e por um período prolongado, deixa de ser algo que nos motiva e passa ser um transtorno de ansiedade, bastante comum entre as pessoas”, diz.

Os sintomas são variados, mas em casos mais acentuados geralmente as pessoas sentem:

  • Taquicardia;
  • Sudorese;
  • Inquietação;
  • Tremores;
  • Vertigens;
  • Náusea;
  • Dificuldade de concentração;
  • Distúrbios no sono;
  • Tensão e dores musculares;
  • Boca seca;
  • Sensação de “nó” na garganta.

 

Por que sou afetado?

De acordo com a psicóloga, estudos mostram que determinadas personalidades sentem de forma mais intensa a ansiedade e talvez tenham maiores dificuldades em lidar com esse sentimento, como, por exemplo, perfis introvertidos diante de situações de exposição, bem como em determinadas fases da vida esse sentimento pode ficar mais evidente, como na adolescência e início da fase adulta. “Há uma tendência do ser humano em repetir padrões de comportamentos, desta forma, estudos comprovam que crianças que se desenvolvem em ambientes ansiosos terão maior probabilidade em serem adultos ansiosos também”, ressalta.

A psicóloga explica que precisamos lidar com problemas e fazer decisões importantes de forma recorrente no dia a dia, deixando a rotina menos tranquila e trazendo para si uma inquietação em relação à qualidade das escolhas e suas possíveis consequências. “Vivemos sob pressões diárias, seja na vida profissional quanto no pessoal, existe uma cobrança talvez implícita da sociedade que nos faz pensarmos que precisamos “dar conta” de tudo, desde as tarefas mais básicas do cotidiano até sermos bem sucedidos e termos sucesso em todas as áreas da nossa vida, e isso gera uma pressão interna de autocobrança muito forte que nem sempre é saudável, pois somos seres humanos e não máquinas, e assim temos potencialidades, mas também limitações”, lembra.
 

Existe cura?

De acordo com a psicóloga, o tratamento da ansiedade na psicoterapia consiste basicamente em trabalhar no indivíduo o desenvolvimento do autocontrole desse sentimento, identificando primeiramente sua fonte, ou seja, que fatores desencadeiam o aumento da ansiedade, e posteriormente transformar os pensamentos ansiosos que advém destes em pensamentos naturais acerca da situação.

“Em casos de crise de ansiedade aprender a controlar sua respiração, fazendo de forma profunda e pausada, ajuda bastante a promover um relaxamento geral de corpo e mente, assim como ajuda a tirar o foco do que está gerando a ansiedade exagerada. É importante a pessoa perceber o momento certo para pedir ajuda profissional. Talvez um dos maiores benefícios da psicoterapia é promover na pessoa o desenvolvimento do autoconhecimento, pois através disso ela aprende a valorizar suas capacidades e lidar melhor com suas dificuldades”, conclui a psicóloga.

 

O que fazer?

A profissional indica que em primeiro lugar devemos ter a percepção que somos humanos, então é impossível em determinadas situações dar conta de tudo, isso já diminuirá a autocobrança em excesso. “Claro que em diversas situações sentiremos ansiedade porque é natural, mas saber identificar o que te deixa mais ansioso e que gera maior pressão interna, e aprender lidar com isso é essencial para estar bem diante de tais eventos, como, por exemplo, diante de alguma dificuldade no trabalho ou na vida pessoal, parar e refletir…o que eu penso sobre isso? Esse meu pensamento a respeito da situação adversa é real ou irreal? De que forma posso solucionar isso? Isso é importante para mim? Eu preciso disso? Eu quero isso? Eu consigo isso?”, indica.

Entrar em contato consigo mesmo e ter consciência das situações, é o início do caminho para que você possa usá-las a seu favor, e não ser vítima delas. “Essas análises sobre o fato tendem a fazer o indivíduo mudar a forma de pensar a situação, contribuindo para o autocontrole dos pensamentos ansiosos e consequentemente seus sentimentos e atitudes advindo destes”, afirma a psicóloga.

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