Saiba como as futuras mães podem se prevenir contra casos de violência na hora do parto

 

A violência obstétrica é o resultado de um conjunto de fatores de ações desrespeitosas que ferem a dignidade da mulher, caracterizada por procedimentos rotineiros, quando praticados desnecessariamente em partos normais e cesarianas. A puérpera (período pós-parto), que naturalmente já precisa de cuidado e atenção, demanda ainda mais quando fragilizada emocionalmente e fisicamente, transpassando o desgaste emocional à toda família. É de extrema importância que vítimas de violência em qualquer fase da gestação ou do parto, realizados em redes de saúde pública ou privada denunciem a ocorrência. As denúncias podem ser realizadas junto à ouvidoria do hospital, ao Conselho Regional de Medicina, ao Ministério Público ou à Defensoria Pública da região.

Essa situação traz várias consequências negativas a saúde física e psicológica da mulher.  A violência obstétrica se aproxima muito do sentimento de corpo violado. Suas complicações podem levar a mulher a se sentir usada, manipulada e desrespeitada com uma invasão que acarreta um elevado sofrimento psicológico. Além de poder gerar graves problemas de saúde mental com prejuízos para relação mãe-bebê, na vida sexual (com dificuldades de relações sexuais prazerosas), podendo se estender para níveis sociais e morais.

Na primeira hora após o parto, alguns cuidados devem ser tomados para não prejudicar a relação entre mãe e filho. Como por exemplo, todo esforço deve ser feito para não separar um do outro, desde que ambos estejam estáveis clinicamente. Neste momento o contato físico é único entre ambos, pois é um tempo decisivo no ponto de vista fisiológico e psicológico. A violência sofrida pela mãe pode se estender ao recém-nascido, caso seja retirado de forma abrupta de dentro e de perto de sua mãe logo após o nascimento. O contato pele a pele estimula a liberação de ocitocina, hormônio que provoca contração uterina, responsável pela ejeção do leite materno.

Outras medidas devem ser tomadas além de não separar a mãe do bebê, como estabilizar a temperatura do recém-nascido, pois ajuda a controlar seus batimentos cardíacos e a respiração, reduzindo o choro, estresse e elevando os níveis de glicose. Além disso, as bactérias maternas começam a colonizar na pele do filho como forma de defesa, legitimando a importância do contato pele a pele que contribui significativamente para o vínculo entre a mãe e o bebê.

Segundo a Doula Mirian Baitel, é de extrema importância que o obstetra proporcione um ambiente acolhedor para que a mulher se sinta à vontade e tenha espaço para fazer perguntas e esclarecer suas dúvidas. “Esse espaço acolhedor e de transparência é fundamental para que a mulher possa fazer a melhor escolha quanto ao tipo de parto, por exemplo. No Brasil, 43% dos nascimentos são por cesárea, mas o índice médio considerado saudável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de apenas 15%. Na rede privada brasileira, a estatística é ainda mais expressiva: 80% dos nascimentos acontecem através de cesarianas. Boa parte destas cesáreas são realizadas ou agendadas sem que haja qualquer real indicação para uma cirurgia que coloca em risco a mãe e o bebê”.

Uma a cada quatro mulheres sofre violência obstétrica. Um dos vários meios de prevenção para essa situação é tanto a mulher, quanto a família estarem munidos de informação e acompanhados de uma profissional habilitada para esse tipo de situação. “A atuação da doula durante o parto é reconhecida e estimulada pelo Ministério da Saúde e OMS. Estudos mostram que a presença delas ajuda a diminuir em 50% os índices de cesáreas, 25% a duração do trabalho de parto, 60% os pedidos de analgesia peridural, 30% o uso de analgesia peridural, 40% o uso de ocitocina e 40% o uso de fórceps. O apoio profissional recebido durante o trabalho de parto e pós-parto aumenta as sensações de bem-estar da mãe, além de combater a depressão pós-parto”, explica Mirian.

A escolha da doula deve ser feita pela gestante e aceita pelo obstetra, independente se o mesmo tenha feito indicações, pois esse é um momento muito íntimo. Além de todo o suporte físico e psicológico, seu trabalho consiste em informar e orientar as mães a respeito dos procedimentos considerados desnecessários de acordo com as atuais evidências científicas e orientações da OMS.

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