A inevitável conexão com o virtual deve ser feita com cuidados para garantir sua saúde

A luz é um dos elementos que tornam nossa visão possível. Ela reflete nos objetos e então chega ao olho através da córnea, o início de um processo que ocorre uma fração de segundo e possibilita a formação de imagens a todo momento. Ficamos expostos a ela durante todo o nosso dia e muitas vezes até durante a noite, mas e quanto às luzes fortes e artificiais que os eletrônicos emitem, elas são de fato prejudiciais?

Segundo a oftalmologista Janaina Sanchez Paiato, nosso olho não foi feito para passar muito tempo focado em objetos tão próximos a eles e com tanta frequência, por isso as telas causam grande cansaço aos olhos. “O ideal é que haja muitos movimentos, já que no nosso dia a dia olhamos para longe, para perto, várias direções diferentes, fazendo com que o olho realize essa ‘ginástica’”, salienta.

Quando passamos muito tempo no celular ou computador forçamos demais e por muito tempo a vista para perto, o que causa um espasmo na musculatura ao fim do dia. “Esse espasmo pode ser observado quando após muito tempo nos eletrônicos tentamos olhar para algo que está longe e precisamos fazer muito esforço para enxerga-lo com clareza. Há uma dificuldade de fazer o foco, pois a musculatura demora para relaxar”, revela a oftalmologista.

 

Os eletrônicos podem piorar problemas de visão?

Segundo a oftalmologista, a luz dos eletrônicos não causa e nem piora problemas de visão. Se o paciente já possui algum problema como astigmatismo ou miopia não será essa luz que irá piorar, o principal fato continua sendo o cansaço. “O que ocorre hoje é um abuso da nossa parte, por usar demais os eletrônicos, durante horas seguidas ao dia, podendo resultar na astenopia, que é o cansaço visual”, salienta.

Existem estudos que revelam que em países como o Brasil os habitantes desenvolvem cataratas mais cedo do que nos países nórdicos, por conta da alta incidência do sol, conta a oftalmologista. “Neste caso, assim como no envelhecimento da retina, ambos estão muito ligados ao sol, assim como a nossa pele. Porém este estudo não se aplica às luzes dos eletrônicos. Até agora ninguém provou nada que as telas possam trazer malefícios em relação à sua luz”, explica Janaina.

 

Quais são os sintomas do uso não moderado?

Os sintomas mais comuns, de acordo com a oftalmologista, são dor de cabeça, dificuldade de ver objetos distantes e o ressecamento do olho. As atividades nos eletrônicos geralmente nos deixam vidrados e até a quantidade de vezes que piscamos é alterada.  “Quando piscamos, hidratamos os olhos, e ao diminuir o número de piscadas por minuto, diminui a hidratação e a superfície do olho começa a ressecar”, diz médica.

Além da dificuldade de ver algo que está distante, a dor de cabeça, como explica a oftalmologista, também ocorre por conta do espasmo do olho, gerada por uma tensão que após algumas horas em frente ao computador ou celular pode causar dores de cabeça. No caso da desidratação dos olhos, o próprio clima é um fator relevante, então pessoas que ficam em ambientes que possuem ar condicionado estão propícias a causar um ressecamento maior do olho, por exemplo.

 

Existem riscos?

Segundo Janaina, questões sobre os perigos das telas são muito frequentes, mas o fato é que não existe comprovação científica de que ela seja prejudicial, a maior preocupação que devemos nos atentar é o cansaço.

No caso de crianças, muitos pais acreditam que elas possuem problema de visão por interagirem com a televisão e telas em geral muito próximos, mas a oftalmologista diz que, na maioria dos casos, isso ocorre apenas por uma questão de interação dos pequenos com o conteúdo. “Para as crianças um pouco desse estímulo pode ser bem saudável, mas assim como recomendam os neurologistas e pediatras, não é bom exagerar, pois eles podem atrapalhar o desenvolvimento neurológico dos pequenos”, alerta.

 

Como evitar?

Hoje, existem óculos que prometem bloquear a incidência de luzes que causam maior cansaço, como é o caso da luz azul que os eletrônicos possuem, contudo a oftalmologista explica que esses utensílios podem até ajudar, mas não chegam a eliminar o problema. “O ideal é fazer pausas de cerca de dez minutos a cada hora, ou uma hora e meia, passada em frente aos eletrônicos, neste tempo é benéfico olhar para coisa que estão longe, evitando o foco de perto, o que exercita a visão e possibilita o relaxamento da musculatura do olho”, indica Janaina.

Se você não consegue ou não pode ficar longe das telas, não se preocupe. “Não é possível estabelecer um limite diário, inclusive pelo fato de que hoje muitas pessoas trabalham com esses equipamentos, assim como o lazer também está relacionado ás telas, seja da TV ou das redes sociais. O Importante, mesmo, é fazer sempre essas pausas”, completa a oftalmologista.

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