É importante não confundir casos de simples agitação com hiperatividade, que requer tratamento 

 

Muitas vezes, observamos crianças inquietas e nos questionamos se elas “possuem um grau de hiperatividade”. Contudo, existe uma diferença muito grande entre hiperatividade e agitação. “Nós não podemos ficar no senso comum e defender a ideia de que toda criança ou adulto agitado é normal, em virtude de uma sociedade acelerada para os dias atuais”, aponta a pedagoga Rosângela Abreu do Prado Wolf.

É comum que algumas crianças tenham como traços de personalidade a agitação, a alegria e a vitalidade. “A agitação é um comportamento normal que se manifesta em decorrência da necessidade de descobrir ou explorar seu ambiente. As crianças agitadas podem ser travessas e desobedientes, mas não são violentas, pois conhecem bem seus limites”, ressalta Rosângela.

A hiperatividade, por sua vez, é um estado excessivo de energia, que pode ser de ordem motora, física, muscular ou mental com intenso fluxo de pensamentos. Por isso, a hiperatividade é considerada um transtorno de comportamento de origem neurobiológica, de característica genética.

 

Principais sinais de hiperatividade em crianças:

  • Comportamento social indiscreto;
  • Dificuldades para prestar atenção; 
  • Distração fácil com coisas sem importância;
  • Excesso de afetividade;
  • Falta de autocontrole;
  • Inquietude interna;
  • Problemas de ansiedade e agressividade quando não conseguem o que desejam.

 

Principais sinais de hiperatividade em adultos:

  • Cansaço pelo esforço constante de concentração, que acaba piorando a dificuldade de atenção;
  • Constantemente “ligado”, com vontade de continuar fazendo as coisas, mover-se, tende a ser workaholic, ou seja, viciado em trabalho;
  • Dificuldade para priorizar as coisas e controlar tarefas;
  • Distúrbios do sono;
  • Esquecimento cotidiano;
  • Excessivamente crítico, fazendo que ele tenha uma autoimagem negativa;
  • Fadiga;
  • Falta de foco e de organização;
  • Falta de motivação em realizar suas tarefas;
  • Frustra-se facilmente se não consegue realizar algo imediatamente;
  • Impulsividade;
  • Inquietude e ansiedade: geralmente não consegue ficar parado, tem dificuldades de ficar sentado em reuniões, muda de posição e bate as mãos ou pés frequentemente;
  • Problemas de gerenciamento eficaz do tempo, o que o leva a procrastinar tarefas.

 

Contudo, não se pode patologizar toda e qualquer inquietação. É necessário conhecer as diferenças entre um caso de inquietação e de hiperatividade, antes de iniciar com tratamentos ou até medicação. “Há muitos casos medicalizados sem necessidade e os riscos para a saúde são grandes, em virtude do efeito colateral desses medicamentos para o organismo como um todo.  Por essa razão, é importante que haja o conhecimento e discernimento sobre a distinção entre a agitação e hiperatividade”, explica.

A melhor forma de realizar um diagnóstico é com uma equipe multidisciplinar. É recomendado, portanto, que a criança seja avaliada por um médico neurologista, mas também por psicólogo e pelo professor, que passa boa parte do tempo com a criança e pode observar o seu comportamento. A colaboração da família também é importante tanto no diagnóstico quanto no tratamento.

Vale lembrar que a hiperatividade pode se manifestar em qualquer pessoa, independentemente da idade ou sexo, apesar de ser mais comum em meninos. O transtorno se manifesta desde a infância, quando a criança é visivelmente mais agitada que as outras da mesma idade. “A hiperatividade pode persistir na vida adulta, já que muitos não foram diagnosticados na infância”, salienta Rosângela.

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