A infertilidade pode estar ligada a inúmeros fatores e estudos recentes mostram que o excesso de estresse pode ser um deles

 

A infertilidade feminina pode ser causada por vários fatores, como o ovulatório, tubário, uterino e endometriose. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera inférteis os casais que não conseguem alcançar a concepção após 12 meses de relações sexuais sem a utilização de métodos contraceptivos. Estima-se que 8% a 15% dos casais têm algum problema de infertilidade e que, no Brasil, mais de 278 mil casais em idade fértil tenham dificuldade de conceber um filho.

Vários estudos já comprovaram que o excesso de estresse pode ter relação com a redução da fertilidade das mulheres. Uma pesquisa publicada na Revista Human Reproduction em 2016 mostrou que houve uma redução de 29% na fertilidade das mulheres que possuíam, na corrente sanguínea, a enzima alfa-amilase, que é relacionada ao estresse. Além disso, essas pacientes tinham duas vezes mais chances de serem diagnosticadas com infertilidade do que as que não apresentam tal enzima.

A enzima alfa-amilase é encontrada em altas concentrações em pessoas estressadas. “A alfa-amilase diminui a fabricação da progesterona, hormônio que tem grande influência no sucesso da gravidez. A redução do hormônio dificulta a implantação do embrião na cavidade uterina”, explica o ginecologista Ricardo Ditzel Delle Donne.

Outro hormônio produzido em excesso por pessoas estressadas é o cortisol, que deixa o ambiente uterino e vaginal inabitável ao espermatozoide e acaba dificultando a chegada dele até o óvulo. “Além disso, o estresse causa a constrição dos vasos sanguíneos, prejudicando a maturação do óvulo e também o crescimento saudável do endométrio”, explica o ginecologista.

O fato de não conseguir engravidar pode, ainda, gerar mais estresse ao casal, como ressalta o Dr. Ricardo. “Quando se opta por um tratamento de reprodução assistida, esse estresse é ainda maior. Toda a tensão e expectativa envolvida pode gerar diversas repercussões ao casal, além da pressão da própria família e dos amigos por resultados imediatos, pode ainda levar a quadros como ansiedade, transtorno do pânico e até mesmo depressão”.

Além do apoio familiar, o casal que tem dificuldades de ter filhos também deve contar com o apoio de um quadro de profissionais, entre eles, um médico fertileuta, um psicólogo e um psiquiatra. “Esse trabalho multidisciplinar é extremamente importante para que o casal esteja emocionalmente apoiado”, lembra o especialista. “O importante é lembrar as pacientes que por qualquer motivo, estejam passando por momentos de estresse ou ansiedade, que procurem auxílio, principalmente se isto estiver envolvido com alguma dificuldade para engravidar. Os profissionais estão preparados para ajudá-las a passar por isso e contornar essas situações dificultadoras em relação a fertilidade”, aconselha Dr. Ricardo.

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