A pílula é um dos métodos anticoncepcionais mais usados e com um dos maiores índices de eficácia. Tire todas as suas dúvidas sobre ela

A pílula anticoncepcional é assunto nas rodinhas de amigas, entre mães e filhas, na faculdade, no trabalho, no consultório médico. Desde que passou a fazer parte do universo feminino, na década de 60, a pílula nunca mais saiu da boca das mulheres. Sua evolução andou junto com as novas descobertas da medicina, mas nesse meio tempo muitos mitos em relação ao seu uso se propagaram até os dias atuais.

As pílulas mais utilizadas são compostas por dois tipos de hormônio, o estrogênio e a progesterona. A progesterona e o estrogênio, juntamente com o androgênio, regulam a ovulação, a menstruação e outras funções relacionadas à reprodução, além de complementar a função contraceptiva. A quantidade e o tipo de estrogênio e progesterona podem variar e é por isso que a escolha do anticoncepcional deve ser individualizada.

Esse método pode e deve ser utilizado no dia a dia, mas sempre sob orientação médica. A Revista Mais Saúde conversou com a ginecologista e obstetra Elissa Dias para esclarecer o que é mito e o que é verdade sobre esta importante aliada do público feminino.

 

Revista Mais Saúde – Quais são as contraindicações da pílula? Quem não pode usar?

Elissa – As principais contraindicações de pílulas anticoncepcionais são mais relacionadas à pílula que possui estrogênio. O método é contraindicado para pacientes que tem histórico de trombose venosa, pacientes com históricos de varizes (pois o estrogênio aumenta o risco de trombose e de varizes), pacientes que tem histórico de câncer de mama e câncer de útero, pacientes que tem algum problema no fígado, porque assim que é digerida a pílula passa pelo sistema digestivo e é metabolizada no fígado, e pacientes que tem algum tumor ou nódulo hepático.  Outra contraindicação ao uso de pílula são as pacientes que tem pressão alta e pacientes tabagistas.

 

Revista Mais Saúde – É verdade que a pílula pode engordar e até aumentar a celulite?

Elissa – Existem algumas pílulas que podem reter um pouco de líquido, principalmente nos três primeiros meses de uso, e por conta disso às vezes pode dar um pouquinho de diferença na balança, mas não por causa da pílula, já que hoje temos pílulas mais modernas em que a dosagem hormonal não é tão alta. Já a celulite pode aumentar um pouco sim, mas isso ocorre apenas quando a mulher apresenta predisposição genética para tal, quem começa a inchar muito por causa da pílula e já tem tendência para celulite, o quadro pode piorar, e por isso pode aumentar a celulite sim, até por um fator hormonal.

 

Revista Mais Saúde – O uso da pílula do dia seguinte pode interferir na fertilidade feminina?

Elissa – Não.  A pílula do dia seguinte tem uma dosagem de hormônio bem mais alta quando comparada a uma pílula que você toma continuamente. E devido ela ter essa dosagem mais alta, você deve evitar seu uso ao máximo, é só para o caso de uma emergência mesmo. Tem paciente que acaba tomando várias vezes e não é bom, porque ela pode desregular o ciclo menstrual, atrasar a menstruação ou adiantar a menstruação e isso, às vezes, acaba atrapalhando um pouco a saúde para frente, mas não que vá comprometer a fertilidade. Usar a pílula do dia seguinte uma vez ou outra não tem problema, o que não pode é usar sempre.

 

Revista Mais Saúde – A variação de horário compromete o efeito da pílula?

Elissa – Compromete sim. As pílulas com dosagem hormonal menor tem que ser tomadas de forma correta, não precisa ser exatamente no horário, mas não deve ultrapassar 1 hora. Se tomada em horário variado ela pode falhar como anticoncepcional e também pode acarretar um sangramento menstrual fora da época, então o melhor a se fazer é tomar certinho.

 

Revista Mais Saúde – A pílula diminui mesmo a cólica menstrual e a TPM?

Elissa Diminui. Por ela regular o nível hormonal, mantendo os hormônios mais equilibrados, ela ajuda a diminuir a TPM, e por ela diminuir o fluxo menstrual, tanto a duração dos dias quanto a quantidade do fluxo, ela acaba diminuindo a cólica também. Por isso que para a paciente que tem muita cólica o tratamento indicado é o uso de pílula.

 

Revista Mais Saúde – Alguns remédios podem anular o efeito da pílula?

Elissa – Sim. Existem alguns antibióticos que podem anular ou até diminuir os efeitos, por isso a importância de a paciente informar o médico que está prescrevendo sobre os outros remédios que toma. Nesses casos, o uso do preservativo também é indispensável, já que pode haver a diminuição do efeito da pílula.

 

Revista Mais Saúde – O álcool e o cigarro comprometem o efeito da pílula?

Elissa – Em partes. Não que eles chegam a comprometer tirando a eficácia da pílula como anticoncepcional, só que, por exemplo, o cigarro aumenta muito o risco de trombose e de derrames. Ele é um fator de risco para doenças cardiovasculares, assim como a pílula.  Por esse motivo, a gente costuma dizer que pílula e cigarro não combinam.

 

Revista Mais Saúde – Mulheres que tomam pílula demoram mais para engravidar quando param?

Elissa – Mito. É muito comum as mulheres perguntarem para nós ginecologistas: “Ah, quanto tempo antes de engravidar eu tenho que parar de tomar a pílula?” Na verdade é assim, quando você para de tomar a pílula, no mês seguinte já é para o teu ciclo voltar ao normal. Tem algumas mulheres que às vezes demoram mais, por um fator ou outro, mas não por causa da pílula. A mulher voltando a menstruar normal, sem o uso da pílula, quer dizer que o organismo já voltou ao normal, e no mês seguinte já pode engravidar.

 

Por: Camila Neumann

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