O médico neurologista Gustavo Henrique Tomasi (CRM PR 32185 – RQE 24491), esclarece algumas dúvidas, mitos e verdades sobre a doença

Crise convulsiva e epilepsia são iguais?

Crises convulsivas e epilepsia são situações que ocorrem devido a um distúrbio da eletricidade nos neurônios – excesso de descargas elétricas, que pode acontecer tanto em uma região específica do cérebro ou já de maneira mais difusa. 

Epilepsia e crises convulsivas não são sinônimos. Algumas pessoas podem apresentar episódios isolados de crises convulsivas e não necessariamente ser considerado epilepsia. Por exemplo, paciente diabético que apresentou episódio de hipoglicemia com crise convulsiva associada, sendo a hipoglicemia a causa da convulsão. Já epilepsia é quando o paciente apresenta duas ou mais crises epilépticas com mais de 24h de intervalo, sem ter um fator desencadeante ou que apresenta alguma lesão cerebral que justifique a presente crise, é considerada uma condição cerebral crônica, bastante frequente (cerca de 1 a 2% da população) sendo que aproximadamente metade dos indivíduos apresentam suas primeiras crises na infância ou adolescência.

Quais são os tipos de crise epilépticas?

Existem muitos tipos distintos de crises e a mais conhecida é a convulsão, propriamente dita. Convulsão é caracterizada por movimentos tônico-clônicos (a pessoa parece bastante rígida com vários movimentos rápidos, assimétricos, amplos tanto em membros superiores quanto inferiores), com perda da consciência, frequentemente com salivação exuberante, podendo ter escape urinário ou fecal e menos de cinco minutos de duração, habitualmente. Além da convulsão, muitos são os tipos clínicos de crises epilépticas. Classicamente são divididas em crises focais (que tem um início em uma determinada área do cérebro) e crises generalizadas (que já tem um início difuso no córtex cerebral). Clinicamente falando, estas crises focais podem se manifestar em muitas formas como movimento anormais da boca, sensação de cheiro podre, visualização de formas geométricas ou cores em cima do campo visual, presença de movimentos anormais somente em um membro, mas algo em comum é que apresentam início súbito e geralmente curta duração, de segundos a minutos. Inclusive, para determinadas crises focais é possível permanecer consciente durante o episódio. Estas últimas crises, muitas vezes chamadas pelos pacientes de crises menores ou ameaços, podem iniciar focais e após passar para movimentos generalizados (tipo convulsão).

Mitos e Verdades sobre epilepsia

  1. Os pacientes com epilepsia não podem dirigir? MITO

Segundo a Associação Brasileira de Educação de Trânsito, o paciente com epilepsia que se encontra em uso de medicação antiepiléptica poderá dirigir se estiver há um ano sem crise epiléptica, com pelo menos há seis meses sem modificar sem esquema medicamentoso – dado que deve ser apresentado através de um laudo médico. Caso o paciente esteja em retirada da medicação antiepiléptica, ele poderá dirigir se estiver há no mínimo dois anos sem crises epilépticas e ficar por mais seis meses sem medicação e sem crise. Já a direção de motocicletas é proibida.

2. Pacientes com epilepsia têm dificuldades mentais? MITO

A maioria dos pacientes com epilepsia tem inteligência absolutamente normal, alguns até acima da média. Uma pequena parcela apresenta patologias que causam dificuldade intelectual associada às crises. Existes alguns tipos de síndromes epilépticas que são consideradas encefalopatias epilépticas, nestas condições sim, devido ao número muito exacerbado das crises e a predisposição a lesão cerebral, aí pode existir déficit cognitivo associado. Mas para 

3. Epilepsia tem tratamento, mas não tem cura? MITO

Existe a possibilidade de cura em alguns casos, por exemplo, com um procedimento cirúrgico que retira a causa das crises ou ainda pelo próprio amadurecimento do cérebro em alguns tipos de epilepsias infantis.

4. É uma doença contagiosa? MITO

A epilepsia é um transtorno neurológico não é contagiosa. Portanto, qualquer contato com alguém que tenha epilepsia não evolui para uma possível transmissão. A epilepsia não é contagiosa e a saliva expelida durante uma crise não transmite a doença. Informação correta é a melhor arma contra o preconceito.

5. A cada crise epiléptica há morte de neurônios? MITO

Antigamente este era um conhecimento popular e médico comum, entretanto, em recentes estudos evidenciou-se que em crises de curta duração não chega acontecer morte neuronal. Caso o paciente apresente estado de mal epiléptico (mais de 30 minutos em crise convulsiva) aí sim pode ocorrer dano cerebral secundário a crise.

6. O paciente com epilepsia pode ter uma vida normal? VERDADE

Pacientes com epilepsia, desde que controlados, podem e devem ser inseridos completamente na sociedade, ou seja, devem trabalhar, estudar, praticar esportes, se divertir.

7. O estresse e a privação de sono são fatores desencadeadores de crises de epilepsia? VERDADE

O estresse e a privação de sono são fatores que podem desencadear uma crise epiléptica.

8. A epilepsia pode acometer todas as idades? VERDADE

A epilepsia acomete desde o período neonatal até o idoso, e pode ter início em qualquer período da vida.

9. O tratamento da epilepsia pode ser medicamentoso ou cirúrgico? VERDADE

O tratamento convencional para a epilepsia é por via medicamentosa, com uso das chamadas drogas antiepilépticas (DAE), eficazes em cerca de 70% dos casos. Entretanto, para o que é considerado epilepsia farmacorresistente (ou seja, não há controle com duas ou mais medicações adequadas e na dose correta) a depender do caso e da lesão cerebral, pode ser lançado mão de procedimento cirúrgico para auxílio no tratamento.

O que devo fazer durante uma crise epilética:

Caso você presencie uma pessoa tendo uma crise epiléptica existem algumas atitudes a serem tomadas para ajudar:

  • Fique calmo;
  • Posicione a pessoa de lado, para facilitar a saída de possíveis secreções e evitar a aspiração de vômito;
  • Proteja a cabeça da pessoa para não machucar e a apoie sobre uma superfície confortável;
  • Tire de perto tudo que possa oferecer riscos de ferimentos;
  • Aguarde a crise passar e explique à pessoa o que aconteceu;
  • Se a duração da crise for maior que cinco minutos chame uma ambulância.

O que não fazer durante uma crise:

  • Não se apavore;
  • Não coloque nada na boca da pessoa que está sofrendo a crise epilética;
  • Não restrinja os movimentos da pessoa;
  • Não tente segurar ou desenrolar ou segurar a língua – o paciente não irá engolir a língua;
  • Não dê líquidos nem álcool para a pessoa cheirar;
  • Não sacuda a pessoa, nem tente interromper a crise.

Caso você seja um portador de epilepsia ou conheça alguém com este diagnóstico, é fundamental o seu acompanhamento com médico neurologista ou neurologista pediátrico para que as melhores opções terapêuticas sejam oferecidas visando o melhor controle de crises possível.

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