Terminar um relacionamento a dois é uma tarefa difícil, e quando um filho faz parte da relação?

 

A manutenção de uma estrutura familiar estável não é uma missão fácil. Em muitos momentos finalizar um relacionamento que não está mais dando certo é a solução mais saudável entre duas pessoas, isto levando em consideração que elas não tenham filhos. No Brasil, o número de divórcios cresceu em 160% na última década, de acordo com o IBGE. E quando o casal tem filhos, como lidar com a situação?

De acordo com a psicóloga infantil e familiar, Giselle de Mattos Leão Abdanur, apesar de hoje em dia ser comum encontrar um amiguinho na escola que os pais já se separaram, isto não deixa de ser um tema que causa mudanças na vida familiar. “Há dor, tristeza, angustia, medo e sofrimento não só para os casais, mas principalmente para os filhos, ainda mais, quando se tem uma situação litigiosa. São tantas incertezas de como será do momento da separação para frente, que a ansiedade é inevitável”, considera.

 

Como dar a notícia?

“Quando a separação do casal é concretizada, após a decisão de como serão os primeiros combinados, o ideal é que ambos, se possível juntos, chamem o(s) filho(s) para uma conversa, num ambiente neutro onde a verdade deve imperar, sem dramatizações. Cada família possui uma forma de funcionamento, ou seja, sua cultura familiar. Também deve ser levada em consideração a faixa etária da criança”, orienta a psicóloga.

Nesta conversa que deve ser direta e verdadeira, de uma forma geral,  o ideal é colocar para a criança que a união, casamento ou relação entre o casal acabou de fato. Dar ênfase de que os pais não vão mais morar juntos, na mesma casa, porém a relação paterna e materna não irá acabar. Eles nunca deixarão ser pai e mãe. “Os pais devem evidenciar que o amor que possuem pelos filhos não acabou e não irá acabar. Principalmente deixar claro que a criança não tem culpa. Um cuidado que se deve ter é para que a criança não se sinta responsável ou acredite que tenha alguma influência sobre a decisão dos pais de se separarem”, salienta a psicóloga.

Após a notícia, a profissional explica que as reações das crianças são as mais diversas possíveis, e irá depender de como a criança lida com as frustrações, decepções e com as perdas. Para evitar que a criança desenvolva transtornos nesta etapa, é preciso ficar atento aos sinais comportamentais. “Insegurança, tristeza, culpa, rejeição, choro “sem motivo”, birra, agitação extrema, passar a roer as unhas, comer demais ou de menos, não conseguir dormir, acordar várias vezes a noite e queda no rendimento escolar são algumas das reações que podem acontecer”, relata.

 

Como fica a convivência?

Em primeiro lugar, a criança tem necessidade de rotina, o que, conforme a psicóloga, ajuda no seu desenvolvimento e aprendizagem. Conhecer a sua programação diária, contribui para a diminuição da ansiedade e, também, no retorno da sensação de que a sua vida ainda pode ser próxima daquilo que costumava ser. “Quando isso não é possível, os combinados entre os pais devem ser seguidos à risca, como por exemplo, horários, definição de quem leva e quem busca, finais de semana programados, viagens, etc. A divisão de tarefas tem que ser feita para que a criança se sinta segura e protegida”, indica.

Uma das incumbências mais árduas, segundo a psicóloga, que uma criança pode ter é precisar escolher entre um dos dois. “Por isso, o indicado é que o convívio seja o mais amistoso possível, sem brigas, ofensas e discussões na frente da criança, a qual ama os pais, independentemente da separação”, salienta Giselle.

 

Fique de olho

A profissional afirma que deixar a criança no meio de um furacão, é uma das piores coisas que podem ser feitas neste momento. Quando a criança passa a ser “objeto de barganha”, disputa, acusações entre os pais, por razões de vingança, punição ao outro, a situação pode complicar ainda mais. Inclusive, a  alienação parental é um crime, definida na Lei n. 12.318/10, art. 2º:

“Art. 2°  Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este”. 

Muitas vezes os pais não têm consciência dos danos que estão causando à criança e acabam criando um vínculo baseado no medo, ou uma superproteção sufocante. “O acompanhamento psicológico, com profissionais qualificados, em casos de separação, tem sido extremamente benéfico e ajudado muitas famílias a se reorganizarem, a resgatarem a autoestima de cada membro. Para as crianças contribui para desenvolver um pensamento crítico, escutar a si próprio e considerar alternativas”, afirma.

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