O brincar pode ser uma grande ferramenta para a aprendizagem da criança e os pais podem por meio dele estimular a leitura, a escrita e o raciocínio

Toda brincadeira pode ser considerada educativa, é também o momento em que a criança é vista com igualdade: onde pode tomar decisões, expressar seus sentimentos e explorar o mundo sem seguir as regras dos adultos. “Vemos a brincadeira como uma forte aliada no processo de ensino aprendizagem, sendo efetiva em todos e quaisquer momentos da infância”, ressalta a pedagoga Thais Karoline Zanona.  

Com o uso do “faz-de-conta” a criança se torna protagonista de situações reais, desenvolvendo habilidades, sentimentos e pensamentos. “Vale ressaltar também, que, devido o momento em que vivemos, as crianças não conseguem ter o mesmo contato com a escola e outros lugares sociais, partilhando momentos com crianças da mesma faixa etária, portanto, os pais podem tornar-se parceiros na brincadeira, servindo como mediadores para enriquecer esse processo lúdico e de suma importância na vida das crianças”, afirmou a pedagoga Gislaine Pereira Kuczanski . 

Sendo assim, os pais, têm sido determinantes para que a criança utilize sua criatividade e imaginação de maneira adequada, não perdendo o interesse e vinculando conteúdos escolares com momentos lúdicos. 

Com uma rotina estabelecida torna-se fundamental nesse momento, as brincadeiras entre pais e filhos podem ser programadas para um período específico do dia, já que as crianças estão passando bastante tempo em casa. “Os pais estão desempenhando o papel de protagonistas no desenvolvimento de seus filhos e esta tarefa não tem sido fácil, porém, é de suma importância para que a escola e as famílias proporcionem uma aprendizagem eficaz”, comentam as profissionais. 

Uma alternativa é a construção de brinquedos, indo além dos prontos. Quando as crianças se deparam com o desafio de construírem seus próprios brinquedos elas estão explorando um mundo de descobertas, aprendizagem, desenvolvimento de criatividade, sociabilidade, da linguagem, pensamento, concentração, atenção e expressão, podendo serem atuantes na sua aprendizagem.

Com as crianças pequenas de até três anos de idade, os pais podem pensar em brincadeiras sensoriais, como: o uso de massinhas, areia e bolhas de sabão, brincadeiras de encaixe e com o uso de fantoches, bichinhos de pelúcia e bonecos, além de cantar e fazer gestos para músicas. 

Para as crianças entre 4 e 6 anos, os pais podem criar ambientes que lembram as situações reais do dia-a-dia, imaginando e criando cantinhos para as brincadeiras, podem ser elas: uma mãe cozinhando, um consultório médico, um mecânico consertando carros, um astronauta em uma nave, um aventureiro em sua cabana  e etc. 

No caso das crianças maiores, elas se interessam por brincadeiras e jogos mais estruturados com regras, dentre eles uno, forca, stop, bingo, twister, imagem ação e jogos complexos que podem envolver a família toda. 

“De modo geral, toda interação existente entre pais e filhos é importante para a formação do indivíduo e vínculos afetivos da criança. Essa interação pode dar-se de maneiras variadas, como mencionado, mas não deixando de estimular a autonomia, responsabilidade, senso crítico e resolução de conflitos, entendendo que a criança é um sujeito histórico e produtor de cultura e saberes”, destaca Thais.

O uso da tecnologia

Com o avanço do período de isolamento, os pais trabalhando em casa e aulas realizadas à distância, o uso de telas tem sofrido um grave aumento. Como já sabemos, o uso excessivo das telas pode ser um perigo para as crianças, assim, cabe os pais criarem uma rotina para os filhos, estabelecendo horários para que esse contato seja distribuído por períodos menores.  Ainda assim, há a necessidade de acompanhamento de um adulto nos momentos em que a criança está em contato com as telas.

“As telas podem sim, contribuir na hora dos estudos e se tornarem um auxílio para as crianças, pois, na atual situação mundial, o uso de celulares, tablets, computadores, para acessar conteúdos e materiais didáticos, principalmente, aqueles disponibilizados pelas escolas, tem se tornado uma estratégia de aprendizagem. Contudo, as crianças estão sendo submetidas a passar longos períodos em frente às telas, o que pode ser prejudicial a longo prazo”, alertou Gislaine. Considerando que momentos de interação social, socialização, conversação, estão sendo substituídos por aparelhos tecnológicos, isto pode acarretar em comprometimentos futuros.  

A leitura, a escrita, a oralidade e o raciocínio lógico-matemático são eixos que necessitam de estimulação e aprimoramento, mas, não devemos forçar nenhum resultado ou objetivos que sobrecarregam ou exijam esforços superiores aos realizados pela criança, evitando que o acúmulo de erros gere frustração e resistência para desenvolver tarefas posteriores. 

Como citado, algumas tarefas simples e cotidianas podem favorecer a estimulação destas áreas, como: guardar as compras do mercado atentando para quantidades e pequenas contas, escrita de listas, arrumar os brinquedos, organizar o quarto, criar listas de supermercado, inventar e escrever pequenas receitas, ler rótulos, jogos de memória e agilidade de pensamento (principalmente os concretos), leitura de histórias, contar histórias para os pais, brincadeiras de faz-de conta, entre outras.

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