Os transtornos mentais não possuem uma causa específica. Podem ser formados por fatores biológicos, psicológicos e sócio-culturais. Quem sofre de algum transtorno mental muitas vezes é proferido de “louco”, considerado incapaz de realizar tarefas e de conviver harmoniosamente em sociedade. Mas, será que pessoas com distúrbios mentais são perigosas e precisam ser excluídas da sociedade? Existem tratamentos efetivos e com bons resultados para o transtorno mental? Confira essas respostas e outras na entrevista com a psicóloga, Elaine C. Palazio.

 

O que é transtorno mental?

Elaine – Transtornos mentais são padrões comportamentais ou psicológicos clinicamente importantes que ocorrem num indivíduo e estão associados a sofrimento ou incapacitação. O transtorno mental engloba um amplo espectro de condições que afetam a mente e provoca sintomas, tais como desconforto emocional, distúrbio de conduta e enfraquecimento de memória.

O que causa a doença mental?

Elaine – Fatores como mapa genético, química cerebral e aspectos do nosso estilo de vida, além de acontecimentos que nos acometeram no passado e nossas relações com as outras pessoas participam de alguma forma. Independente da causa, o individuo com transtorno mental muitas vezes, sente-se em sofrimento, desesperançado e incapaz de levar sua vida na plenitude.
Quais são os principais sintomas apresentados por um indivíduo com transtorno mental?

Elaine – Os sinais e sintomas de doenças psiquiátricas incluem alterações nas seguintes funções: consciência – estado de lucidez; emoção – um complexo estado de sentimentos com componentes somáticos, psíquicos e comportamentais relacionados ao afeto e ao humor; comportamento motor – aspectos da psique incluindo impulsos, motivações, desejos, vontades, instintos e anseios, expressados pelo comportamento ou atividade motora do indivíduo; pensamento – fluxo de idéias, símbolos e associações; fala – idéias, pensamentos e sentimentos expressados através da linguagem; percepção – processo mental pelo qual os estímulos sensoriais são trazidos à consciência; memória – função pela qual a informação armazenada no cérebro é, mais tarde, trazida de volta à consciência.

 

Pessoas com distúrbios mentais são perigosas e precisam ser excluídas da sociedade?

Elaine – Mito. Entendo que o sofrimento mental interfere na capacidade produtiva das pessoas e em alguns momentos pode tornar difícil seu convívio com os outros. Mas, isso não significa que elas se tornem definitivamente incapazes de manter suas atividades, incluindo o trabalho.
È verdade que existem tratamentos efetivos e com bons resultados para a doença 
mental?

Elaine – Verdade. Existem várias formas de abordagens psicossociais, seja no hospital ou na comunidade, programas de reabilitação, terapia ocupacional, psicoterapia individual e educação familiar, grupos de auto-ajuda, buscando proporcionar tratamentos com visão biopsicossocial que promovam a recuperação, reabilitação, reinserção social, tornando possível a convivência na família, respeitando os limites de cada indivíduo.

A sociedade, de modo geral, ainda tem preconceito com pessoas que sofrem 
desses distúrbios?

Elaine – Verdade. Acredito que a sociedade tem preconceitos sim, devido ao desconhecimento da temática transtorno mental. O envolvimento de famílias/ sociedade no processo de tratamento e na construção da autonomia do paciente é fundamental, pois facilita a transformação progressiva da relação entre sociedade e o doente mental, superando preconceitos e opiniões culturalmente estabelecidas, tornando possível uma participação social útil e produtiva. O grande desafio deste modo de promover o cuidado é desenvolver, tanto na equipe de saúde quanto na família, uma aliança terapêutica que propicie ajuda mútua no enfrentamento dos problemas trazidos pela situação ou sofrimento.

Direitos da pessoa portadora de transtorno mental

Direitos da pessoa portadora de transtorno mental:

 – Ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde de acordo com suas necessidades;

– Ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;

– Ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;

– Ter garantia de sigilo nas informações prestadas;

– Ter direito à presença médica em qualquer tempo para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;

– Ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;

– Receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;

– Ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;

– Ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental. 

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