Pintar, dançar, atuar ou mesmo apreciar manifestações artísticas melhora a qualidade de vida

O Conselho de Artes da Inglaterra lançou há pouco tempo um documento enumerando as vantagens de incentivar atividades culturais para a sociedade como um todo. Um capítulo que recebeu muito destaque é o voltado ao bem estar. Segundo o artigo, pessoas que comparecem a pelo menos um evento artístico por ano têm uma chance de quase 60% maior de afirmar que são saudáveis em comparação com quem não frequenta museus, teatros, e shows musicais. O artigo também expõe a ideia de que o simples ato de apreciar a arte já diminui a produção de substâncias estressoras, que podem contribuir para uma série de complicações. E se, além de observar manifestações artísticas, o indivíduo também desenvolvê-las, provavelmente esses efeitos serão ainda mais intensos.

Segundo a psicóloga Lucilene Aparecida Zavadzki Hino, a arte transmite e expressa ideias e emoções. O uso da arte com finalidade terapêutica começou a ser incentivado no final do século XVIII e tem base em diferentes referenciais teóricos, como a psicanálise, a psicologia analítica, a gestalt-terapia, dentre outras abordagens do campo da psicologia. No Brasil, a arte foi reconhecida como fim terapêutico na década de 1920, graças aos trabalhos de Osório Cesar e Nise de Silveira, ambos psiquiatras. Esses trabalhos destacam-se no que diz respeito à promoção de atividades que utilizem recursos artísticos nos serviços de saúde mental.

A partir disso, pode-se perceber os benefícios que a arte traz para a saúde, bem estar e qualidade de vida do ser humano. Conforme a psicóloga, por meio do criar em arte e do refletir sobre os trabalhos artísticos, pessoas podem ampliar o conhecimento de si e dos outros, aumentar sua autoestima, lidar melhor com a raiva, tristeza, estresse, experiências traumáticas  e desenvolver recursos físicos, cognitivos e emocionais. “A exploração do conteúdo artístico pode ser um recurso valioso para qualquer profissional da saúde”, afirma.

Para a psicóloga, a arte faz parte da essência humana. “Para pensar a arte é preciso pensar na relação homem e mundo. A arte sempre se expressa em diferentes formas, seja na cultura, na beleza. Pode-se entender a arte como se fosse o espelho do mundo. O artista que desenvolve uma peça, uma pintura, um desenho, ou qualquer outra manifestação artística, quer informar ao mundo algo que talvez não consiga falar e que só pode ser expressado através da arte”, acentua.

O simples fato de apreciar manifestações artísticas, seja observar pinturas, esculturas, ir ao cinema, ver um show musical ao vivo, ou assistir um espetáculo de dança também traz benefícios, de acordo com a profissional. “Ao mesmo tempo em que o ser humano desenvolve, cria e faz arte, aquela pessoa que vai apreciá-la precisa colocar a criatividade, imaginação e a sensibilidade para funcionar. Ao fazer isso, trabalha sua mente e suas emoções”, explica.

 

Dançar faz bem

Aquele velho ditado que diz “Quem dança, os seus males espanta” está mais do que certo. Dançar pode ser mais do que arte e diversão, pode ser uma forte aliada da saúde. Para a professora de dança Marcela Mendes, a dança traz benefícios independente do motivo pelo qual a pessoa escolheu dançar, seja como profissão, como um exercício físico, como uma atividade de integração social ou como uma atividade de lazer.

De acordo com a professora, todas as modalidades de dança são capazes de beneficiar o ser humano. O ballet, por exemplo, é um excelente aliado ao desenvolvimento físico da criança. Danças de salão promovem interação, proximidade com o outro, olho no olho, fatores que hoje se perderam com a correria do dia a dia. O jazz trabalha desenvoltura, conhecimento corporal e flexibilidade. A dança do ventre, totalmente voltada para o corpo feminino, promove autoestima ao trabalhar com a sensualidade da mulher.

“A dança traz benefícios tanto físicos como psicológicos, principalmente por não se tratar apenas de uma atividade física. A dança envolve o trabalho com a mente, com realização. Quem dança sente prazer ao dançar. Quem dança é também uma pessoa mais segura, mais conhecedora de si”, pondera Marcela.

 

Por Camila Neumann

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