Ato responsável por causar traumas e danos em suas vítimas.

 

Agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais indivíduos contra uma ou mais pessoas caracteriza uma situação de bullying. “Bullying é uma perseguição de forma reiterada chegando a violência física, psicológica e moral. Normalmente pode começar como uma brincadeira, colocar apelidos, derrubar o material do colega e chutar, no entanto, o praticante de bullying sempre tem um comportamento agressivo, comportamento exacerbado repetidamente”, explica a psicóloga, Tania Regina R. Mansano. O termo bullying tem origem na palavra inglesa “bully”, que significa valentão, brigão.

O bullying, segundo a psicóloga, sempre existiu, antes de forma mais branda e menos intencional pelo fato da sociedade apresentar valores morais e de respeito mais arraigado e fortalecido pelo conceito de convívio grupal, hoje a satisfação individual e mediata é mais forte favorecendo a situação. Na Noruega, o bullying é tema de pesquisa desde a década de 90, quando se descobriu que o fenômeno estava associado ao elevado índice de tentativas de suicídio entre os adolescentes.

A prática do bullying pode acontecer em qualquer contexto social, ou seja, escolas, universidades, ambiente de trabalho, família. “Desde a educação infantil já existe bullying, mas é importante saber distinguir brincadeiras do bullying”, ressalta a psicopedagoga, Sheila Caldas Hyczy. Conforme ela, atos de bullying são repetitivos e geralmente tem expectadores que também são praticantes de bullying.

Existem duas categorias de bullying – o direto e o indireto. “O direto é mais freqüente em meninos e parte mais para a agressão física, verbal e psicológica. O bullying indireto é a agressão social e é mais comum entre as meninas e crianças pequenas, sendo feito através de fofocas, espalharem comentários maldosos, recusa em se socializar com a vítima, intimidar as outras pessoas que desejam socializar-se com ela, criticar o modo de se vestir, etnia, religião e as incapacidades que nem sempre são as deficiências (processo mais lento de aprendizado) forçando a vítima ao isolamento social. Atos esses que podem afastar o aluno vítima da escola” enfatiza Tania.

Os danos causados pelo bullying são muitos. A psicopedagoga enumera alguns, como criança retraída, tímida, que não se socializa, o rendimento escolar cai bastante e, em casos mais graves, pode chegar ao suicídio. “Criança que sofre bullying mostra uma fragilidade emocional ao agressor e esse percebe que ela está com medo. Quem sofre bullying não enfrenta o agressor, e a intenção do agressor é sempre intimidar ou agredir para causar dor e angústia, é intencional, ele só não sabe a dimensão do estrago que está fazendo onde a vítima pode chegar a tentativa e realmente se confirmar o suicídio”, afirma a psicóloga.

O bullying é responsável por ocasionar traumas, mas a dimensão do trauma a psicóloga diz que não tem como prever, vai depender da resiliência (a capacidade que o ser humano tem de passar por vários eventos negativos na vida e manter a sua funcionalidade e organização psíquica sem prejuízos na sua vida) de cada pessoa.

Combater o bullyng

Como os pais podem perceber que o filho sofre bullying

 

“Normalmente a criança ou adolescente não conta para os pais ou professores, mas começa a não querer ir para a escola, o rendimento escolar pode cair, pode apresentar vários sintomas físicos, se isolar em casa, fica mais triste, mais fechada, irritada, tem medo de dormir, tem pesadelos, medo de sair de casa, enfim diversos tipos de medo”, alerta Tania.

Para a psicopedagoga, as escolas deveriam dar mais importância ao que a criança fala, favorecer mais a comunicação e escutar os alunos. “A escola deveria efetuar projetos sobre solidariedade, generosidade, respeito e estar aberta ao diálogo. O professor ao perceber um ato de bullying precisa comunicar a direção e a direção informar aos pais desse aluno vítima”, acredita Sheila.

Os pais ao perceber o comportamento diferente do filho também precisam investigar o que está acontecendo, ir até a escola, falar com os professores, sondar como está a turma.

 

 

 

“Tanto a escola como nós cidadãos temos que ter consciência de que quando ocorre o bullying estamos desrespeitando os princípios constitucionais que é a preservação da dignidade do ser humano. Também estamos desrespeitando o ser humano, num ato ilícito que causa muito dano ao outro. Devemos nos responsabilizar e assumir as consequências” lembra Tânia.

A conscientização sobre os efeitos negativos do bullying deve ser reforçada. “Conscientizar através de divulgações midiáticas e construir critérios de valores sociais de convívio com os grupos, sejam grupos de família, escola, empresas. Existe punição para o bullying, os pais precisam se responsabilizar e cuidar dos seus filhos, orientando e fazendo um controle dos filhos praticantes de bullying. O praticante tem que cumprir a mudança de seus hábitos”, avalia a psicóloga.

 

 

 

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