A hipnose, muitas vezes vista com maus olhos, pode ser uma grande aliada da medicina no tratamento de várias doenças

 

Cercada de mistérios, a hipnose hoje ainda é vista com olhos desconfiados por muitas pessoas. Talvez seja por seu passado ligado ao curandeirismo ou até por algumas práticas sensacionalistas de palco muito comuns. Devido a tais fatores, existem diversas ideias erradas em relação a esse tipo de terapia, como a de que a pessoa sob o efeito da hipnose perde a consciência e sofre de amnésia ou a de que podemos ser hipnotizados mesmo quando não queremos.

O que muitos não sabem, no entanto, é que a hipnose trata-se de uma prática reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como ferramenta de apoio ao tratamento de vários males, desde o final da década de 90. E, como tal, desde que realizada por um profissional experiente e de boa índole, a hipnose é uma terapia segura.

Também conhecida como hipnoterapia, a hipnose provoca um estado alterado de consciência, criando uma profunda sensação de relaxamento. Sob hipnose, o indivíduo consegue concentrar-se de forma intensa num pensamento, memória, sensação. Nesse estado, é capaz de assimilar sugestões induzidas pelo hipnoterapeuta, que podem contribuir para mudanças de comportamento e melhorar os seus níveis de bem estar. Durante uma sessão de hipnose, a pessoa concentra-se num determinado estímulo, que é a voz do terapeuta. Este incentiva a autoconfiança do paciente e orienta-o em direção a determinados pensamentos, que variam de acordo com o problema em causa.

De acordo com o consultor e hipnólogo Paulo Sérgio Buhrer, para que esta terapia seja bem sucedida é essencial que haja uma relação de confiança e sintonia entre o paciente e o terapeuta para que o procedimento flua e dê mais resultados.  Também é necessário o hipnoterapeuta deixar claro ao seu paciente o que a hipnose é capaz de fazer, sem criar falsas esperanças de cura. “A hipnose em si não cura, mas faz a pessoa acessar seu próprio inconsciente e por meios normais de comando do cérebro, ela acaba tendo uma potencialização do resultado, o que no fim das contas ela acaba amenizando seus sintomas e dores sozinha”, afirma o hipnólogo.

 

Estresse e emoções sob controle

A hipnose funciona como uma espécie de atalho para a resolução dos mais diversos males. Dores crônicas e problemas emocionais podem ter sua cura intensificada pela hipnoterapia se ela for utilizada junto com o tratamento médico e psicológico, e isso tudo porque os sintomas de tais doenças são minimizados.

A saúde da mulher pode ser uma das mais privilegiadas no tratamento da hipnose. Uma das fases da vida mais difíceis para a mulher – a menopausa – pode ter os sintomas que as tanto aborrecem reduzidos através da hipnoterapia. Recentemente, um estudo feito na Baylor University, nos Estados Unidos e divulgado na revista brasileira ISTO É, apontou que a hipnose foi capaz de reduzir em até 80% a frequência e intensidade das ondas de calor e das crises de palpitação, nervosismo e irritação das 187 mulheres que participaram da pesquisa.

O maior mal da civilização moderna – o estresse, que tem atingido mais mulheres do que homens, é um dos problemas que mais se obtém resultados positivos com o tratamento de hipnose. Isso porque, conforme o hipnólogo Paulo Sérgio, o estresse já é tratado só pelo fato do paciente entrar em um estado de relaxamento, e então quanto mais o terapeuta der o comando para ele se sentir melhor e mais tranquilo, mais o cérebro entenderá que aquilo é verdade.

A hipnose também tem sido usada com grande eficácia em pacientes com ansiedade e apreensão para que se sintam mais relaxados, como antes de cirurgias. Segundo Paulo Sérgio, há casos já relatados de pessoas que tinham um tumor tão grande que não era possível nem fazer cirurgia. Depois de tratadas com hipnose, os médicos conseguiram fazer a operação com sucesso, pois o tumor havia diminuído.

Além de todos os males citados, sessões de hipnoterapia também são recomendadas para várias outras situações que possam ter algum fundo emocional. São problemas como depressão, obesidade, anorexia, bulimia, enxaqueca, fobias diversas, traumas diversos, insônia, insegurança, timidez, baixa autoestima, impotência e outros problemas sexuais, transtorno obsessivo compulsivo, até dependências químicas como o tabagismo e alcoolismo.

Porém, o hipnólogo deixa claro que o papel da hipnose, nos tratamentos citados, é apenas de ser uma aliada da medicina e não deve ser usada como o tratamento principal da doença. “Não se deve deixar de ir ao médico e de tomar seus medicamentos. Não se deve achar que o hipnoterapeuta irá promover a cura. Ele apenas irá diminuir sintomas e dores. Deve-se pensar a hipnose como um tratamento paralelo, algo a mais”, alerta.

 

Passos da hipnose

Para que se possa entender melhor a hipnose, o hipnólogo Paulo Sérgio listou os passos da hipnoterapia.

1. BOM SENSO: o hipnoterapeuta deve deixar claro o que a hipnose é capaz de fazer às pessoas, sem criar falsas curas e resultados. Como quase tudo na vida, os resultados dependem muito mais de nós mesmos do que dos outros.

2. RAPPORT: Pode ser definido como um laço de confiança entre o hipnoterapeuta e o paciente, que poderá se soltar a ponto de ser conduzido em sua viagem hipnótica. É o passo em que se cria uma sintonia entre ambos, para que o procedimento flua com qualidade e dê mais resultados.

3. INDUÇÃOo hipnoterapeuta induz o paciente a entrar num estado de relaxamento, geralmente por meio do relaxamento topográfico (corpo inteiro). Neste momento a  voz tem que ser rítmica, compassada, suave, harmoniosa, que leve o paciente a entrar num estado de relaxamento. Ele pode usar imagens, lugares, criar sensações que produzam efeitos relaxantes, como a pessoa estar debaixo de um chuveiro com poucas gotas de água morna caindo sobre seu corpo, relaxando mais e mais.

4. APROFUNDAMENTO: É o passo em que é diminuído as ondas cerebrais, para que, conforme o problema a ser tratado, o hipnoterapeuta consiga um estado de aprofundamento próprio para aplicar o próximo passo.

 5. PROCESSO TERAPÊUTICO: Aqui se trata o que se veio buscar. É nesse momento em que se envia o comando para o cérebro e para todo o corpo produzirem os resultados que a pessoa precisa, potencializando curas para todo tipo de problema, como traumas, dores, medos, estresse, ansiedade, TOC’s, depressão, e qualquer outro problema ou doença.

6. TÉRMINO E REORIENTAÇÃO: É a hora em que se traz o paciente para o nível de consciência normal, em que todos nós estamos habitualmente.

 

 Por Camila Neumann

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