A guerra dos ômegas (ômega-3 e ômega-6)

 

Hipócrates (460-370 a.c.) preocupado com a saúde de seus pacientes assim se expressou: “que seus alimentos sejam os seus medicamentos e seus medicamentos seus alimentos”. Mais de 2.000 anos depois, o Homo Sapiens não entendeu o valor da colocação hipocrateana em relação ao que se deve ou não ingerir para a perfeita saúde do corpo. Pior, além de não saber, não escolhe os principais nutrientes para a sua saúde, não pratica atividades físicas, não cuida do seu corpo, não mede a pressão arterial, não controla o peso, não faz check-up, nem sabe se tem hormônios (a mulher sabe). Desconhece que o sedentarismo, obesidade, diabetes, hipertensão e estresse podem ter conotação com infarto e derrame. Não imagina que a vida moderna exigirá muito dele em termos de cortisol, melatonina, DHEA, hormônios da tireóide, pregnenolona, estradiol, testosterona, entre outros, os quais tem sérias implicações com esquecimentos, insônia, cansaço, depressão, aumento de peso.

Para estas entidades clínicas há tratamento baseado em reposição hormonal bioidêntico, o qual vai suprir a falta dessas substâncias ocasionadas pela demanda do estresse. O próprio homem comete o maior pecado da sua história no planeta – está destruindo o meio ambiente, poluindo o ar, os rios, os oceanos e os alimentos. Muitos peixes de rios e de mares estão sendo contaminados por mercúrio nos garimpos e pelo derramamento de petróleo nas águas dos oceanos. Além da poluição, o homem injeta hormônios nos animais (frango e gado), principalmente para ter uma melhor qualidade da carne, mas desgraçadamente o mesmo acaba consumindo-a.

Tão grave como os fatos citados acima é que o Homo Sapiens também está fabricando industrialmente produtos químicos dos mais variados tipos que irão funcionar como hormônios sintéticos, são os chamados disruptores ou xenoestrógenos. Estas substâncias já são conhecidas pela medicina moderna como estranhas ao organismo, as quais vão entrar nas nossas células e serão acopladas a todos os receptores como se fossem substâncias normais do próprio organismo, pois os nossos órgãos não tem a capacidade de reconhecer a estrutura química da substância certa ou errada. As conseqüências são sérias, já que estes xenohormônios tem estrutura molecular diferente dos hormônios próprio do homem. Estas substâncias dentro do ser humano trazem uma nova doença – a inflamação crônica. O que é a inflamação crônica? Quais são as suas conseqüências?

Trata-se de uma doença que na verdade está aí há algum tempo, em decorrência porque o homem alimenta este mal, come errado desde que surgiu na terra. Mas, nunca se alimentou tão mal como o faz agora. E, nunca foi tão ganancioso como hoje. A inflamação crônica ocorre por via bioquímica através da cascata do ácido aracdônico que, por via cox-ocitocina, chega na intimidade de nossas moléculas e são as responsáveis pelo sistema de antiinflamação e inflamação dentro das células. O grau de inflamação que os seres humanos podem apresentar tem marcadores bioquímicos especiais e pode ser solicitado em uma consulta médica. Os principais marcadores de uma inflamação crônica são: fibrinogênio, homocisteína, lipoproteína A, proteína C ultrasensível.

Por termos incorporados os xenobióticos ou hormônios contrários a nossa saúde, as nossas células normais podem desenvolver ou agravar várias doenças, fazendo surgir precocemente as pausas humanas, como melatopausa, eletropausa, somatopausa, adrenopausa, tireopausa, menopausa e andropausa. São atribuídos também ao xenoestrógenos: TPM, câncer de mama, útero, ovário, próstata, entre outros, miomas, endometriose, osteoporose, doenças ovarianas, doenças da tireóide, despertar cansado, ovários policísticos, fadiga crônica, esquecimento, cansaço, depressão, entre outros. Trata-se de uma pandemia nas funções hormonais do homem e da mulher com aparecimento ou agravamento de doenças da tireóide, cérebro, ovários, testículos, suprarenais, hipofáse, com implicações com a libido, potência sexual, com menor ou maior dificuldade de diálogo entre homens e mulheres. O interesse não só sexual, mas como o interesse pela vida, se faz por via hormonal e há uma nítida correlação entre hormônios e comportamento humano.

O que a ciência agora sabe é que não precisamos mais ingerir ômega-6, pois o mesmo já está distribuído e diluído nos alimentos e em toda a natureza na forma de alumínio, cádmio (fumo), panelas e envoltórios de alumínio, plásticos em gerais, os quais envolvem desodorantes, shampoos, perfumes, adoçantes (stevia não), anti-sépticos, anticoncepcionais, cremes hidratantes, conservantes, corantes, embalagens alimentares, enlatados, bisfenol e hormônios sintéticos. Se o ômega-6 tem conotação com produtos químicos e inflamação crônica, portanto doença, o seu antídoto é o ômega-3 que tem conotação com saúde e antiinflamação. È ele que vai nos proteger contra a gama de substâncias estranhas que estamos ingerindo e vamos continuar ingerindo no curso da história humana. Se fosse possível deveríamos colocar o ômega-3 na água para beber, assim estaríamos evitando a inflamação crônica.

A dose a ser ingerida de ômega-3 deve ser indicada pelo médico assistente, porque depende do grau de doença. Seguramente é mais do que uma cápsula de ômega-3 por dia.

Se o mundo está inflamado é porque o homem assim fez o seu destino, e é preciso hoje correr atrás do prejuízo. Perguntaram ao Buda (580 a.c.) se existiria destino e ele assim respondeu: “nós humanos somos expressão de nosso ego e esse está a serviço dos impulsos e das nossas paixões, portanto da imediata satisfação pessoal. Reunimos um dia as palavras e criamos os pensamentos. Nossos pensamentos fizeram as idéias e as nossas atitudes perante a vida. As nossas atitudes são responsáveis pelos nossos hábitos e são os hábitos dos seres humanos que fazem o seu destino”. Buda termina a questão existencial aí.  Aristóteles, alguns séculos depois, esclarece que somente a educação ministrada às crianças poderá mudar o destino do homem. Pitágoras, em alguns momentos, referiu-se a difícil tarefa de melhorar o comportamento do ser humano, expressando a idéia que educando as crianças, o adulto não precisará ser punido. Mas, a resposta maior vem com Agostinho (no livro Confissões, volume 1, 2 e 3) que a felicidade tão procurada pelo ser humano, ele só encontra no encontro com ele mesmo. E, segundo ele, virtude e felicidade são íntimas.

Concluímos nós, se a felicidade é dependente das virtudes humana, é bem provável que a infelicidade se deva aos vícios, falta de valores éticos, falsas crenças e interesses, pois os mesmos são contrários e conflitantes com as verdades da vida. Verdade esta rompida entre o homem e o criador. Todas as respostas para os conflitos existenciais não as temos, pois Super Homem não somos, mas sim somos atores deste extraordinário e maravilhoso mundo onde o riso e a dor, alegria e tristeza, a ganância e humildade são as características marcantes que nos envolve, e a resposta não termina aqui, já que a vida exige uma grande resposta.

Edson Crema – cardiologista

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