Uma reflexão para os (in) sensíveis 

 

Por sensibilidade entendemos a capacidade que o homem e os seres vivos em geral apresentam de reagir a estímulos internos e externos, que provocam uma reação de agrado ou desagrado. A sensibilidade pode ser educada, trabalhada e estimulada. Temos infinita forma de sentir, oriundos de gestos, palavras, olhares, arte, leitura, frio, calor.

O sentir, entretanto, depende de muitas faculdades cognitivas, pois segundo Charles Chaplin: “pensamos muito e sentimos muito pouco”. De acordo com a opinião de uma criança, a qual foi perguntada sobre o que era o mundo, respondeu: “o mundo seria muito ruim sem as mães”. Para ela o mundo sem sensibilidade feminina é um mundo sem colo, sem carinho, sem suavidade, sem compaixão e ternura. Como se pode viver em um mundo sem essas qualidades?

Que mundo é este que só há espaço para a razão, competitividade, agressividade e busca da autoestima. Num mundo assim, ser sensível pode ter conotação de fraqueza, fragilidade e debilidade, onde as relações humanas vivem um verdadeiro caos. Tendo destaque a falta de habilidade nas interrelações humanas, afetando não só o ser humano individualmente, mas a amizade, o namoro, casamento e até o mundo dos negócios, pois o êxito dos relacionamentos tem cada vez mais importância na vida corporativa, é a pauta do mundo contemporâneo.

No contexto atual, a insensibilidade presenciada por tragédias, corrupção, aborto, violência contra crianças e mulheres, pedofilia, estão em velocidade frenética neste mundo frágil e rebelde. Enquanto alguns trabalham de sol a sol em todas as profissões, outros saqueiam e roubam os municípios, estado e até a pátria.

A fragilidade do homo sapiens está por conta da insensibilidade, o qual não tem resposta para quem é, para onde pretende ir, incapaz de agradecer e festejar a própria vida. Portanto, hoje estamos órfãos e desconhecemos que o ser humano é único na criação e só ele é capaz de criar possibilidades de uma sociedade solidária, inteligente, sensível, hábil para cuidar deste próprio homem.

Cultuamos a indiferença a religião e até a indiferença ao ateísmo, porque os deuses que cultuamos se desenvolve sem serem percebidos e estas novas crenças traz como principal conseqüência a falta de ética e de ideal de perfeição humana, assim o homem mergulhou em profunda depressão, onde frieza e superficialidade prevalecem nas relações interpessoais pelo demasiado nível de estresse. Isso marca uma sociedade decadente e emocionalmente doente. O próprio homem alimenta a mais tênue rede dos insensíveis, pode ser visto nas competições religiosas até nas torcidas de futebol.

Quando provérbios são considerados chavões, contudo cheios de verdades, há que se respeitar a opinião dos froidianos em relação ao instinto masculino: a mulher que mostra o poder do intelecto merece mais respeito do que a mulher que mostra o poder de suas pernas. Mas, os homens preferem sempre as pernas.

Blaise Pascal (1623-1662) filósofo moderno manda uma mensagem para o povo contemporâneo: “Homem tu és o único ser capaz de ter consciência, capaz de fazer interrelações, entre si e com a natureza, só você conhece a tua fragilidade e miséria, porque é o único ser que sabe que vai morrer”. Ricardo Freire de Andrade, pai do menino Wesley, morto no Rio por uma bala perdida, também envia uma mensagem: “meu filho é só mais uma estatística do governo”. Abraham Lincoln deixou várias mensagens para a sua época, que pode ser muito bem aplicada nos dias de hoje: “só tem direito a criticar aquele que pretende ajudar. Quer por a prova o caráter de um homem dê-lhe poder”. Lincoln disse ainda que podemos enganar alguns por todo o tempo, todos por algum tempo. Mas não podemos enganar todos por todo o tempo”.

Já para Einstein a palavra progresso só terá sentido quando não existirem mais crianças famintas e infelizes. Para ele há duas coisas infinitas: o universo e a tolice dos homens, e com muita graça definiu VIVER como andar de bicicleta, se você para cai. E nos lembra, o homem que acha a vida sem sentido não é digno de viver.

Artur Schopenhauer (1788 – 1860) refletia que a ousadia depois da prudência é uma condição especial para a nossa felicidade e que as religiões são como vagalumes, pois para brilharem precisam de trevas. Falou ainda que o destino embaralha as cartas e nós jogamos.

Augusto Cury, um dos escritores mais lidos em nossa época, deixa claro em seus livros: você precisa conquistar aquilo que o dinheiro não compra, caso contrário será um miserável ainda que seja um milionário.

Aristóteles nos deixa também mensagens interessantes: todo homem por natureza deseja saber, o prazer no trabalho aperfeiçoa a obra. Para ele o ignorante afirma, o sábio duvida, e o sensato reflete.

Ronaud Pereira, um grande pensador de nossos tempos, tem um ponto de vista muito interessante quando fala que o desapego e a independência do ser humano está creditada na sensibilidade, pois viver é tornar-se independente no inicio das pequenas coisas, mais tarde das pessoas e por que não dizer do próprio corpo.

Antoinie de Saint-Exupery (1900-1944), grande pensador francês, tem muita coisa a dizer sobre sensibilidade, e falou: os homens compram tudo pronto nas lojas…mas como não há lojas de amigos, os homens não tem amigos. Para esse pensador, o essencial é invisível aos olhos, só vemos direito com o coração. E não é para esquecer: “tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas, e cada um que passa em nossas vidas leva um pouco de nós e deixa um pouco de si. Há os que levam muito, mas não há os que não deixam nada”. È preciso aprender muito com o amor. Para Saint-Exupery, amor não consiste em olhar um para o outro, mas sim olhar juntos na mesma direção.

Ser sensível é entender melhor a vida e para isso a que se ter dose razoável de emoção e razão. Viver o hoje da simplicidade, livre de preocupações, o que está difícil. Dar mais de si e esperar menos dos outros, assim seremos livres para sonhar, porque o ódio não ganha espaço no coração do homem. Haverá menos expectativas com a vida, porque tudo virá no seu devido tempo, mesmo porque quem tem pouco pode ter tudo. E se foi Deus que fez o mundo assim, aceite-o, Deus não faz besteiras.

Sensibilidade maior deve existir também no casamento, pois quando casamos abrem-se muitas portas, mas fecham-se algumas janelas, porque quando você se une a outra pessoa não pode esquecer que você casou com muitas qualidades do seu companheiro, da mesma forma que se uniu com muitos defeitos dessa pessoa. É preciso crescer juntos nos acertos e aprender nos erros, mesmo porque os casais que deram certos são os que crescem como pessoas, não pulam as regras e aceitam e toleram os jogos da vida e também da vida a dois.

Os casais tornam-se mais sensíveis porque percebem e respeitam as fraquezas do companheiro, ajudando-se mutuamente. Não ouvides nunca que com o nascimento dos filhos a sensibilidade do casal tem que aumentar ainda mais, abrindo mão da sua individualidade para que a família prevaleça coletivamente.

A insensibilidade pode ter consequência emocionais e físicas, como foi o caso das Olimpíadas de Boston, onde pessoas, crianças e famílias tiveram seus corpos mutilados pela agressividade e insensibilidade de certos indivíduos. Esses, cujo comportamento deverá ser estudado por médicos, psicólogos, psiquiatras, filósofos e estudiosos do assunto, pois essa insensibilidade se torna também responsável pela individualidade humana.

Se somos seres sociáveis e vivemos em grupo, hoje temos um grande dilema, porque não sabemos onde está o inimigo. Ele pode estar na multidão ou pode estar do nosso lado. Por isso, a insensibilidade compromete a vida em grupo, em família e em sociedade.

Para boas relações humanas é fundamental não desconhecer os fundamentos do humanismo, tendo como base quatro pilares: respeito por si e respeito pelo outro, simpatia e compromisso com a relação, assim não ignoramos até aquele que cuida de nós, que sente a nossa falta e nos ama para que um dia você não acorde percebendo que perdeu a lua enquanto contava as estrelas.

Nossa sensibilidade deve ser tal que possamos perceber que as pessoas mais interessantes e bonitas que conhecemos são aquelas que um dia conviveram com derrotas, sofrimento, perda e que se superaram, não se tornando passantes existenciais. Encontraram mais luz no caminho, iluminando a sua sombra e a sombra do universo. Essas pessoas adquiriram capacidade para contemplar o belo, observar pequenos eventos na rotina diária de sua vida, como sentir o perfume das flores ou a grandiosidade de um simples dialogo entre duas pessoas.

Conhecemos estes seres no meio da multidão, eles exalam perfumes. São aquelas pessoas que tem paz, serenidade, compreensão da vida e uma baita sensibilidade. Nos apaixonamos por elas. Pessoas com essa beleza não acontecem de repente, elas se constroem dia após dia.

 

  Por: Dr. Edson C. Crema

 

Fonte: Livro – A arte de lidar com pessoas, de Jamil Albuquerque; O efeito sombra, de Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson.

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